AMOR DE INTERNET


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Uma das coisas mais difíceis na sociedade atual, pautada por lógicas mercantis e cada vez mais inundada na hipócrita indústria do curtir, é ter a atenção diária de alguém. E eu estou falando de ser íntimo de uma pessoa, algo anos-luz de uma reciprocidade baseada na troca de likes.

Eu sei que a maioria de nós está sedento por atenção e passamos o dia (ás vezes a vida inteira) à procura de algo que nos torne eternamente lembrados, nem que seja uma eternidade de quinze segundos.

Nesse contexto adormece silenciosamente uma necessidade ainda maior, a de ser amado por alguém e ter uma atenção que não é totalmente movida pela realidade virtual. Estou falando de ter alguém que nos dê motivos diários para enfrentar a vida, que lembre da gente pelo que verdadeiramente somos, além do filtro do aplicativo.

Mas sabe, não estou fazendo uma crítica deliberada ao mundo virtual. Embora as relações sociais estejam mais e mais dependentes da tecnologia, que encurta distâncias "métricas" e aumenta as afetivas, nem tudo é plastificado. Já recebeu uma mensagem de voz no WhatsApp às 5h da manhã com alguém dizendo que sente sua falta? Já acordou e leu aquela historinha fofinha no Snapgram, e que você sabe que lhe foi dedicada? E aquela marcação em um Gif bobo do Facebook, mas que contém mais sentimento que muitos abraços por aí?

De forma alguma venho criticar quem costuma expor relacionamentos na internet. Não é isso não. Quem ama sabe quando o sentimento é verdadeiro, e embora nesse mar de relações superficiais, quem observa de fora não saiba distinguir se é real ou apenas mais um amor de aparências, quem liga? Quando o sentimento de paixão une duas pessoas, pouco importa o meio para expressar isso, ou menos ainda se alguém aprova, curte, reage ou comenta... O que vale é saber, que ainda metricamente distante, alguém cuida de você como se sua vida dependesse de outra metade. Isso é algo que reconhecimento social não pode dar, que fama nenhuma proporciona.

Amor e paixão de verdade não são jogo de aparências, é dedicação, cumplicidade e respeito. Mas quem disse que a tecnologia não pode oferecer isso? No entanto, é claro que não se pode abdicar do olho a olho, da face a face, do quadril com quadril. Sem isso a relação será apenas mais um caso de insuficiência de atenção. E esteja preparado para um súbito AVC no ego.

Música sugerida para este texto: Amor virtual – Sampa Crew

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