SÓ ÁGUA NA GELADEIRA E EU TENTANDO SALVAR O MUNDO


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Todo dia eu traço exatamente o mesmo caminho, fazendo uma rota que pouco se alterna durante a caminhada, a não ser quando o instinto enxerga ao longe, depois das esquinas, além das roupas coloridas e como se tomasse o lugar de guia, se tornando mais eficiente do que os incansáveis olhos fundos.

Toda rotina é estressante (tratando-se de onde moro, também negativamente emocionante). Não há ser humano que suporte o peso da mesmice! Ter que levantar da cama sabendo que a melhor coisa que restará ao fim do dia é poder dizer que tem um sonho. Mas será que realmente sonhar é suficiente para dar sentido a uma vida?

Quem está longe de sua casa sabe o que é levar uma vida inteira buscando um caminho que dê a algum lugar. Um motivo para se tornar, no mínimo, uma pessoa normal. Morar longe de casa às vezes se torna uma eternidade que se mostra cada dia mais sufocante. Os anos passam, os sonhos acumulam e a realidade continua uma nau à deriva em um oceano medieval.

Vivo com medo das pessoas que respiram fumaça, que aceitam alegremente as agonias suburbanas. Eu juro que não nasci para ver postes que nunca apagam a luz. Para mim vem sendo todo dia um curto-circuito no desfibrilador da esperança.

O peso da mortalidade é o que mais incomoda. É duro saber que se está desperdiçando sua única vida distante das pessoas que você ama, daqueles que ainda te dão sentido em um mundo cada dia mais envolvido por uma teia de relações frágeis, onde o real e o abstrato disputam espaço nas ruas, nos parques, nas escolas, nas mesas de jantar.

Quem busca um sonho, por natureza, assume sem medo o peso de suas apostas. E na busca pela paz, pela riqueza de espírito, é obrigado a ganhar a todo custo, ainda que as fichas não estejam nem um pouco favoráveis. E nem pensar em blefar, essa estratégia é arriscada demais quando se trata do jogo da responsabilidade de tentar ser feliz, ao menos uma vez ao dia.

Sabe, eu sei, sei, cansa! Ter que se perguntar “quem mais morre mais ao fim do mês. Nossa grana ou nossa esperança?" – Emicida.

Música sugerida para este texto: Levanta e anda – Emicida

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.