AMANHÃ


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Madrugadas são bombas de pensamentos prontas para explodirem a cada novo bocejo. Às vezes eu queria não ter a responsabilidade de adormecer, só para poder saber o quanto o meu eu interior consegue retardar o cronômetro da inevitável explosão matinal.

O corpo anda sujo de desejos. O coração não sabe se ainda cabe no peito. A mente caminha a passo largos, um para frente e dois para trás.

Madrugadas são frias em qualquer lugar, não importa quantos graus esteja a temperatura ambiente. São frias dentro da gente, congelam nossos medos, nos tornado homens-bomba da nossa própria consciência.

Cada vez mais entendo o quanto somos feitos de fases. Em um dia você vai dormir achando que o amanhã vai te roubar tudo: sua paz, seu suor, sua esperança no amor. Dessa forma, as madrugadas vão se tornando as mesmas e você vai sobrevivendo aos cacos, se agarrando no medo de decepcionar quem acredita em você.

Então, subitamente o universo decide bagunçar o seu cotidiano deprimente, brincando com sua sorte como uma criança feliz em um formigueiro. Tudo parece conspirar ao seu favor: uma bela jovem que timidamente você admira sorri sinceramente para você, os carros esperam você passar na faixa, o professor te elogia por um argumento bem colocado, sua música preferida toca no rádio do barzinho que você parou para tomar água.

Em um piscar de olhos as coisas que estavam prestes a despencar, começam a criar asas. Você vai aos poucos renovando as esperanças. Esperando o café ficar mais amargo, vestindo mais a roupa que você ama, deixando o amor sorrir para você da mesma forma que sorriu a moça que você admira, mesmo que você saiba que aquele sorriso nunca será verdadeiramente seu.

Música sugerida para este texto: Seguir em frente – Rick e Renner

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