ENTRE O PENSAR, O SENTIR E O AGIR


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Já sentiu a sensação de que tudo está tão perfeito, tão organizado que você fica paranoico esperando um objeto sair do lugar? Torcendo para o corpo desmoronar em fluidos.

Cada sorriso falso em uma situação notoriamente feliz é como estar apaixonado por alguém que a gente odeia, preso a um sentimento que eleva nossas emoções à críticos níveis de insônia normal e terminal. E não tem nada mais agoniante do que permanecer aprisionado a uma única escolha, é tão decepcionante quanto enfiar a mão em um estojo de talheres e pegar a única faca nele existente, quando na verdade você necessitava urgentemente de apenas um dos vários garfos que nele permaneciam.

É doloroso sentir-se incapaz de manter o equilíbrio entre as inúmeras decisões cotidianas e a certeza de que internamente não se pode ter o benefício da dúvida. Manter-se sufocado pela carência de um pouco de insanidade, na busca fracassada pelo desejo de se perder, nem que seja por uma noite.

Já pensou que uma grande maneira de ser bom para alguém é evitando problemas desnecessários em sua vida? Muitos dos males que causamos podem ser reprimidos se a gente se desprender de egoísmos e respirarmos intensamente uma sinceridade que pode nos machucar bastante, mas que é extremamente necessária para preservar a pureza de quem gostamos.

Ter medo é uma sensação tão essencial quanto sentir dor, pois nos alerta para não nos entregarmos totalmente as epifanias matinais. É contraditório, mas o medo nos ajuda a raciocinar com mais calma, nos dando segurança para entendermos que não somos maus por que queremos, mas porque muitas situações impõem que devemos ser.

A melhor forma de sentir-se bem consigo mesmo é assumindo as emoções, deixando a verdade percorrer seu corpo como os arrepios de um beijo de amor. Aceite o mal que você faz, lide com a ideia de ser imperfeito, mas lembre-se de fazer todas as suas escolhas pensando naqueles que você admira, que ama.

Viver é estar suspenso entre a dualidade, balançando entre medos, transmutando as escolhas que fundamentam a nossa metanoia cotidiana. Se é para viver rotulado como má pessoa, que assim seja, desde que quem amamos esteja em paz.

Música sugerida para este texto: Sincronia – Vibrações

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