PERSPECTIVA


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Mesmo distante da minha sorte, ela está constantemente visitando minhas entrelinhas. De vez enquanto, transborda meu cotidiano diário de sonhos.

Sempre peco com sua beleza, no entanto, ela continua aceitando minhas desculpas e minhas confissões, me perdoando como se eu fosse merecedor da sua paz.

Entra ano e sai ano, e aqui estou, lendo minha alma e tentando descrever o que nunca me pertenceu. Mentindo para as palavras e fingindo que minhas frases não são espelho do meu fracasso como protagonista.

Ela nunca saiu de mim, mesmo quando a escolhi deixar guardada sob meus marcadores, pois sabe que mesmo que eu ande escrevendo por linhas brancas, é no papel negro que minha tinta parece brilhar com maior intensidade.

Mas como posso escrever uma história que talvez nunca possa ser realmente minha? Ando cansado de tomar tento de quem não mereceu o horrível efeito de insônia que sinto ao tomar café à noite.

Talvez um dia eu consiga unir as páginas soltas que entrecruzam o meu caminho e o dela. Talvez quando sorte for mais gentil conosco, ela poderá ser a minha melhor crônica. Tornando-me capaz de me escrever além de um mero e desestimulado coadjuvante.

Música sugerida para este texto: Tudo que eu falei dormindo – Detonautas

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