DESGESSINGERIANDO: FAZ DE CONTA - ENGENHEIROS DO HAWAII


Obs. 00: Essa análise foi feita em parceria com o meu grande amigo João Lucas, administrador da página As Evidências da Evolução. Fico lisonjeado pela oportunidade de mais uma vez trabalhar ao seu lado.

“Faz de Conta” é a 12ª faixa do álbum “Novos Horizontes” que é um DVD e CD ao vivo da banda gaúcha. Foi um álbum Gravado no Citibank Hall em São Paulo, no ano de 2007.

De maneira geral, acreditamos que “Faz de Conta” traz um eu lírico refletindo acerca das suas atitudes em meio a um estado emocional de inquietação que ele se encontra. No decorrer da canção é percebida a presença de um locutor que cria um diálogo com a figura do personagem principal.

Preferimos deixar subjetiva a ação do personagem, ou seja, que você leitor decida sobre qual o real motivo da inquietação do eu lírico. Seria um caso amoroso? Um conflito de amizade? Bom, deixamos essa parte para a sua imaginação.

Era claro, espelho d'água. Perfeição que a pedra destruiu

Aqui, percebemos a utilização de uma metáfora para caracterizar o óbvio. O eu lírico quer dizer que seu viver encontrava-se tranquilo, nítido e claro como a superfície de uma água muito limpa (espelho d’água) que é capaz de refletir uma imagem com perfeição.

Nesse sentido, a perfeição é a tranquilidade de quando se acredita estar tomando um caminho correto. Contudo, de repente as coisas começam a sair de seu eixo, desmontam do seu estado de paz, assim como uma pedra que é jogada em um rio, causando nele um distúrbio. Portanto, para a música, a pedra é representada como algo que desequilibrou uma situação de estabilidade, mostrando para o eu lírico que a vida é uma sucessão de momentos, um conjunto de acasos.

Uma onda, mais uma onda. Outras ondas e já não tem fim

Seguindo a linha de raciocínio da metáfora adotada nessa análise, essa sucessão de ondas atrás de ondas é resultado da destruição da perfeição. A onda é aquilo que oscila. Começa com uma, depois duas, aí já é sem fim. 

Obs. 01: A perturbação na água provocada pelo impacto de uma pedra causará um movimento de ondas em forma de circunferências concêntricas, que se afastam do ponto do impacto ao centro.

Para a música, as consequências de um ato se espalham pela vida, rompem com a estabilidade, como uma onda que se propaga no seu meio adequado.

Agora é centro o movimento. A qualquer momento pode transbordar

Obs. 02: O surgimento da unidade fundamental inconsciente, de forma espontânea, cria uma reação no espaço de ondas que se propagam expandindo para o exterior. E uma vibração transversal que expande para o interior. O trajeto da pedra indo ao fundo do rio gera uma vibração, e essa vibração é o movimento de contração, de retorno ao centro. 

Imaginando que antes o que reinava era a perfeição, a tranquilidade, agora o centro é o movimento. E movimento em quê? No eu lírico! E esse indivíduo é finito, uma hora ou outra, por conta da turbulência interior (movimento), ele irá transbordar (se cansará da situação, causando uma terrível inquietação). Da mesma maneira como um balde cheio de água, que quando recebe uma turbulência, transborda deixando o líquido derramar.

Quando a pedra caiu na água. Quando o espelho foi ao chão. Quem estava ao teu lado? Quem estava com a razão?

Nessa parte, é como se o eu lírico estivesse escutando um possível locutor que o questiona ironicamente perante as decisões que o levou a perder o controle de sua vida. Suponha-se que essa pessoa o conhece bem, faz parte do seu ciclo de vivência (quem estava ao teu lado?). 

Entendemos então, que é como se esse locutor dissesse: “eu avisei da existência das pedras que inevitavelmente perturbariam a água tranquila” (as mudanças repentinas que estão decaindo sobre o viver do eu lírico). Conclui-se essa parte imaginando que ela também fala: “bem que eu avisei” (quem estava com a razão?).

Obs. 03: “Quando o espelho foi ao chão” faz referência à mesma metáfora que vem sendo aplicada a análise. Sendo assim, o fato do espelho ir ao chão também repassa a ideia de desconstrução, quebra, desmoronamento. Lembre-se também que o espelho é um objeto que reflete uma imagem quando existente a incidência de luz sobre ele, assim como um rio de águas limpas e inertes.

A pedra afundou, a onda inundou. Faz de conta que eu fui mais legal

O possível locutor que disserta para o eu lírico continua sua fala, que nesse trecho representamos dessa maneira: “A pedra afundou? É óbvio (bem que eu avisei). A onda inundou? Sério, não me diga? Bem que eu avisei!”

Continuando sua fala, esse locutor entende a inquietação e angústia por parte do eu lírico. Percebemos isso ao supormos que ele faz um pedido: “Finge que eu não disse, bem que eu avisei” (faz de conta que eu fui mais legal).

Malas prontas de hoje em diante. Mais distante, talvez menos mal

No entanto, parece que o pedido não surtiu efeito, e o eu lírico, que teve sua vida perturbada, não gosta nem um pouco do tom sarcástico usado na fala da pessoa que escancara de forma pungente a situação. E diante a essa insatisfação demostrada pelo eu lírico, a pessoa que o acordava para a vida real entende que é melhor se afastar.

Podemos imaginar que essa pessoa se afasta por gostar muito do eu lírico. Ela sabe que que foi necessário ser direta e rude para que ele abrisse seus olhos para enxergar a vida de maneira mais consciente.

Veja só: “mais distante, talvez menos mal”. Ora, com a distância é bem provável que sua sinceridade e precaução não venham a magoar mais ainda o eu lírico.

Desencanto na garganta. Faz de conta que eu fui mais legal

Aqui, talvez, encontramos a evidência para a nossa hipótese do afastamento. A pessoa se afasta para preservar os sentimentos bons que tem para com o eu lírico, uma vez que se mantendo perto, ela seria obrigada a lhe dizer às verdades que ele parece ignorar (desencanto na garganta). Fazendo uso de um jargão bem popular, é como se disséssemos que essa pessoa, esse locutor, não tem papas na língua.

Aqui, “faz de conta que eu fui mais legal” pode significar tanto um pedido de desculpas como de compreensão. Nem sempre compreendemos aqueles a quem desculpamos. Como a pessoa está ciente de que ficar longe do eu lírico é a coisa certa a se fazer, é melhor deixar tudo esclarecido antes de partir. Que fique claro que o afastamento se deu para o bem da relação, para evitar um maior sofrimento de novas turbulências ainda mais óbvias.

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2 comentários:

  1. Boa análise. Você poderia também analisar a música Fusão a Frio, do álbum Dançando no Campo Minado. Gosto muito desta música, mas não entendi ela totalmente.

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  2. Bom, eu não posso prometer, mas deixarei anotado. Trabalho e faculdade consomem muito tempo. "Corrida contra o relógio, silicone contra a gravidade", fica difícil continuar as análises. Obrigado pelo comentário, e quando minha vida ficar mais sossegada vou tentar adiantar todas as análises sugeridas!!! Abraço.

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