EXTRAINDO SIGNIFICADOS: MAR DO MEU MUNDO - MANEVA


A música “Mar do meu Mundo” é a faixa que abre o álbum denominado de “Tempo de Paz” de 2009. É o segundo trabalho da banda de reggae, que além de “Mar do Meu Mundo” conta com outras 11 faixas.

Em síntese, a música tem sua letra construída sob a perspectiva de um eu lírico (que vamos tratar como sendo um homem), que está apaixonado por uma mulher. Ele, utilizando-se de figuras de linguagem, compara uma paisagem à beira mar, com características físicas e sentimentais da mulher que admira.

Nos olhos um azul profundo revela sua alma

Nessa primeira frase da música, o eu lírico está claramente se referindo aos olhos azuis da mulher que ele está apaixonado. É como se ele dissesse que através do olhar hipnotizante que ela possui, ele pudesse sentir toda a pureza de sua alma. Aquela velha reflexão que muita gente já deve ter escutado “Os Olhos São a Janela da Alma”.

No mar do meu mundo, eu sempre fico no cais. As águas são claras, são calmas, mas sempre dá medo, de atravessá-las, não sei o que encontrar

Aqui, o eu lírico utiliza-se da metáfora para comparar as particularidades da mulher (com enfoque no olhar), com as características de um cenário marítimo. Basicamente, em seus pensamentos ele ver a mulher de tal maneira como enxerga o mar, ou seja, belo, gracioso, mas ao mesmo tempo imprevisível (no mar do meu mundo).

Obs. 01: 
“Cais” é uma estrutura, geralmente uma plataforma fixa em estacas, ou região à beira da água, na borda de uma abra ou de um porto onde barcos podem atracar e aportar para carregar e descarregar carga e passageiros.

Dessa maneira, quando ele cita “eu sempre fico no cais”, ele está dizendo que mesmo fascinado com tanta beleza, tem medo de se aproximar da mulher, pois não tem certeza de como ela pode reagir diante dele.

Aliado a essa mesma linha teórica “as águas são claras, são calmas, mas sempre dá medo de atravessá-las, não sei o que encontrar”, refere-se aquilo que falei sobre o mar. Que mesmo sendo belíssimo, também pode ser assustador. Tanto pela sua imensidão ou mesmo pela imprevisibilidade que o segue. Ou seja, ele prefere se resguardar em apenas observar o mar (mulher) do cais, pois está com medo e receio de ir ao encontro dele (dela).

Cor tão bela, não dá trela, pro meu barco marrom

Nesse trecho, o eu lírico desabafa a sua aflição de não está com a mulher que tanto chama sua atenção. Ao citar “cor tão bela” é uma referência direta ao azul, tanto dos olhos da mulher, como do mar.

Obs. 02: 
"Dar trela" é uma expressão popular que significa conceder atenção, tempo, interesse.

Obs. 03: 
Barco marrom é uma analogia com a cor dos olhos do eu lírico. Da mesma forma que o azul do mar é associado aos olhos da mulher que ele está interessado.

Diante disso, quando a letra da canção fala “não dá trela, pro meu barco marrom” significa que o eu lírico sente-se angustiado pelo fato de que a mulher não demonstra interesse nele.

No contexto metafórico da canção, o barco marrom (olhos do eu lírico) não está ao encontro das águas azuis do mar (olhos da mulher).

Não navega, abro a vela, mesmo sem ter vento bom

Mesmo com todas as dificuldades que o eu lírico enfrenta por estar apaixonado por uma mulher que não lhe concede interesse, ele mantém-se firme e esperançoso de poder um dia ter a atenção dela.

Em outras palavras, mesmo com o mar desfavorável para que o barco possa navegar, é necessário manter as velas abertas nem que seja diante de um vento desfavorável, logo é preciso está preparado para o dia em que a navegação esteja propícia.

À deriva a hora, são segundos, não perco minha calma.

Quando um indivíduo se sente sozinho e sem perspectivas reais de embarcar em um romance, é cabível que ele se acostume a solidão. Saiba esperar pacientemente pelo seu destino.

Trazendo para o contexto metafórico, imagine a seguinte cena: Um pequeno barco à deriva navegando lentamente em meio a enorme imensidão do oceano. Numa situação dessas, não há muito que se fazer, é preciso manter a calma e remar na medida do possível, até encontrar terra firme para ancorar.

Sou filho do justo, espero o que precisar

Aqui é fundamentalmente a mesma concepção expressa no verso acima. É um destaque a paciência, calma e sabedoria de esperar o momento perfeito para realizar algo (espero o que precisar).

Obs. 04: 
“sou filho do justo” é uma menção a uma característica bem marcante ao estilo do ritmo do reggae, a exaltação a Deus! Ou como os cantores e grupos de reggae costumam dizer, “louvor a Jah”.

Obs. 05: Jah é uma abreviação de Javé ou Jeová, e significa Deus, na religião Rastafári, que é um movimento religioso, surgido inicialmente na Jamaica, entre os descendentes de negros, que chamavam seu Deus de Jah. O termo Jah aparece nas escrituras hebraicas, nas escrituras gregas, e na Bíblia, mas com o nome de Jeová. O cantor jamaicano Bob Marley (considerado o rei do reggae) foi um dos responsáveis por levar as ideias de Jah para todos os cantos do mundo, uma vez que a palavra está presente nas letras de suas músicas, títulos e etc. Leia mais sobre o assunto aqui.

Tenho na minha consciência, não posso viver no escuro da ausência, dos olhos que gosto de olhar

Nesse trecho, o eu lírico mostra-se consciente de toda a circunstância que o cerca. Ele sabe que falta coragem para poder se aproximar da tão desejada companhia da mulher. No entanto, ele também entende que precisa tomar uma atitude em relação à situação. Na parte em que ele cita “não posso viver no escuro da ausência”, é uma referência ao fato de estar enormemente incomodado de não poder ficar ao lado da pessoa que ele tanto deseja.

Obs. 06: 
Entende-se o escuro como um espaço onde não existe a presença de luz. Figuramente também é entendido como um estado em que um indivíduo possui ou expressa um excesso de tristeza; melancolia.
 
Pensando dessa maneira, quando o eu lírico está distante da mulher, ele é acolhido por um sentimento de frustração. Encontra-se consumido pela escuridão provocada pela ausência dos olhos da sua paixão (dos olhos que gosto de olhar). A música inteira foca os azuis olhos da mulher, característica que parece fascinar o eu lírico. E aqui em especial, ele destaca que a luz dos olhos dela ilumina a vida dele, ao contemplar os olhos de mar de sua querida, a tristeza e escuridão desaparece.

Cor tão bela, não dá trela, pro meu barco marrom. Não navega, abro a vela, mesmo sem ter vento  bom

[...]
 
Lá quando tem chuva, as águas não ficam turvas. Só realçam o azul do meu mar

Essa parte não tem muito segredo! Segue a linha de raciocínio metafórico imposto na análise. É uma menção ao fato de que quando a mulher por algum motivo chora, mesmo assim o eu lírico ressalta o quão belo é o seu olhar (Lá quando tem chuva, as águas não ficam turvas). Independentemente de qualquer situação, mesmo que por um choro de tristeza que seja, não apaga a imponente beleza de um olhar que aos olhos do eu lírico, é divino (Só realçam o azul do meu mar).

Nem um problema que surja, nada mais me preocupa, que ver meu mar chorar

No último verso o eu lírico destaca o quanto está apaixonado por essa mulher, pois ao vê-la chorar, suas lágrimas podem ser causadas por algum sentimento de tristeza que a acompanha. E isso acaba refletindo no bem-estar do eu lírico, que se sente mal por ela estar mal. Esse tipo de situação só pode ser entendida por quem realmente está apaixonado por alguém.

Pensando na relação com o mar, seria o mesmo que dizer que nem a situação problemática de estar sozinho à deriva, seria mais preocupante do que uma forte chuva marítima, logo essa pode trazer consigo uma tempestade.

Obs. 07: Curiosidade - A palavra Maneva é de origem africana e significa "Prazer".

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