AMOR E ÓDIO - A LINHA TÊNUE ENTRE AMAR E O MEDO DE SOFRER


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Com o tempo quase tudo nesse mundo se esgota. Felicidade constante entedia, paixão em excesso desgasta o romance, bondade demais enche o saco, pessoas muito inteligentes saturam a paciência. Vivemos em tempos que colocam amor e ódio lado a lado na tomada de decisões. Sentimentos tão distintos, mas que passaram a conviver diariamente se sobrepondo nos relacionamentos.

Todo indivíduo, mesmo que não admita é por imposição natural carente de sentido para o seu existir. Estamos a todo o momento buscando respostas para perguntas que possivelmente temos grandes chances de morrermos sem tê-las. Talvez uma das maneiras mais simples de encontrar significado para a vida seja amando alguém, dedicando parte do seu tempo a viver em prol de agradar uma pessoa que te faça acreditar que na delicada linha que mantêm o equilíbrio entre amor e ódio, o segundo sirva apenas para romper com o tédio. Convenha como válvula de escape para evitar o desgaste da mesmice, mas que jamais poderá exceder o limite lhe imposto, devendo estar sempre em harmonia plena com o amor.

Mas não é tão simples encontrar uma pessoa que possa transmitir esse conforto. Geralmente grande parte dos indivíduos vive reclamando de não ter a sorte de degustar um amor verdadeiro, sentem-se incapazes de alcançar a estabilização em um relacionamento. Essas pessoas precisam entender que não existe momento certo para viver uma intensa história de amor.

É necessário perceber que o amor não delineia seus caminhos de maneira que que se possa decidir como cada ser humano vai seguir. Para poder conviver com o amor, é preciso assumir responsabilidades, lidar com dificuldades e não exceder limites, tanto para o bem como para o mal. A ausência do desejo de encarar tais disposições nada mais é do que uma máscara para a covardia.

Outro contingente de pessoas busca encontrar o amor de forma banal, enganando seu viver diário sob a perspectiva de que amores casuais são a melhor forma para não arriscar transgredir a tênue barreira que equilibra amor e ódio. Confortam-se na ideia de que enquanto não descobrirem o verdadeiro amor, viver cercado de “pseudoamores” é a melhor maneira de lidar com o medo de sofrer que impulsiona a frustração de internamente ser sozinho.

O problema é que amores vazios desgastam facilmente, ou seja, são mais propensos a fazer com que não exista equilíbrio sentimental, e esse tipo de situação sempre tende para uma supressão do falso amor e domínio absoluto do ódio.

Dessa forma, amor e ódio são sentimentos que não se pode entender apenas utilizando-se de teorias, é preciso ter uma vivência, experimentar cada um em seu estado mais puro das relações humanas. Deve-se acreditar na possibilidade de que sempre vai existir alguém capaz de compreender o seu eu mais interno, “um amor que te faça matar a sede na saliva - Cazuza”.

Sem a coragem de entregar-se profundamente aos sentimentos e ao risco dos excessos, a vida será tão vazia e inerte como uma tarde triste de céu envolto por tempestades, na qual a dor da solidão amargará junto ao frio da noite que se seguirá e “nas noites de frio é melhor nem nascer - Cazuza”.

Música sugerida para este texto: Todo amor que houver nessa vida – Mariana Volker

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