TODO HOMEM TRAI? PARTE II - FINAL


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

André caminhava em direção ao banheiro masculino e seu aparelho celular começou a tocar. Era sua namorada ligando. O jovem por um instante hesitou e decidiu não atender a chamada, deixando o som imponente do Linkin Park ecoar por alguns minutos interruptos pelo silêncio que até então habitava o lugar. Ao sair do banheiro, ele retornou ao quarto em que guardou as mochilas e determinou dormir por ali mesmo. Apagou a luz e se encostou próximo à parede, posicionando sob a cabeça, de forma semelhante a um travesseiro, uma das mochilas que por perto estava. Começou a pensar no sorriso receptivo que a moça com que conversava há poucos instantes possuía, era a única coisa que sua mente insistia em impor aos seus pensamentos, esses que André tentava inutilmente não alimentar.

Depois de cinquenta e seis minutos lutando contra a insônia e o cansaço, André desistiu de tentar dormir. Levantou-se, abriu a porta e foi andando de volta a área onde se localizava a piscina principal. Ao chegar fez uma rápida vistoria nos arredores e notou que apenas as luzes da área de alimentação estavam acesas. O silêncio reinava, e as únicas pessoas por perto eram o mesmo casal que ainda dormia profundamente no gramado. O céu estava totalmente nublado, escuro e sem sinal do brilho da lua ou qualquer outro corpo celeste. A forte luz fluorescente vinda da área de alimentação conseguia alcançar um espaço amplo, dessa forma, André não viu necessidade de ligar outras lâmpadas.

Com o pensamento fixo na moça, ele seguiu até onde estava uma caixa que guardava bebidas alcoólicas e pegou mais uma lata de aguardente. André não costumava beber demasiadamente, mas naquele momento queria amnesiar sua mente que estava extremamente confusa, se debatendo entre desejos e noções de certo e errado. Decidiu se deitar em uma enorme cadeira (aquelas de tomar sol) que estava ao lado da piscina principal. Deitou-se e passou a pouco tempo após escutou passos lentos que por trás dele se aproximavam. Quando se virou para ver quem era, tremeu seu corpo inteiro, pois viu a mesma bela moça que não saía do seu pensamento se aproximar e sentar na cadeira ao seu lado, sem falar nada.

Encontrava-se vestida com uma curta e insinuante roupa. Nesse andamento André ficou aflito, pois a confusão em sua cabeça parecia consumir friamente seus neurônios. A moça se deitou junto ao rapaz o abraçando. André não conseguiu agir ou dizer palavra alguma, uma vez que de certa forma desejava verdadeiramente a situação que se sugeria. A bela mulher começou a tocar o corpo do rapaz e beijar seu rosto suavemente. Movido por um instinto, André segurou fortemente o cabelo da jovem e lhe deu um único e rápido beijo em sua boca. Depois disso, se levantou subitamente da cadeira.

A moça se assustou e voltou a se sentar, mas dessa vez perplexa com a cena. André estava visivelmente trêmulo e ofegante. Mal conseguia encarar a jovem nos olhos. Sem saber o que dizer, teve uma atitude que lhe pareceu a melhor reação para se fazer naquele baque de ações espontâneas. O jovem segurou na mão da moça a obrigando a ficar de pé, olhou em seus olhos, lhe deu um abraço apertado e fez um pedido de desculpas. Logo após isso, ele recolheu a latinha de aguardente do chão e se distanciou para a parte mais escura do gramado.

Quando chegou a um ponto em que não podia mais enxergar nada, por conta da escuridão, se deitou no local e começou a chorar. A moça que ficou sem entender nada, apenas ajeitou o cabelo e retornou para o seu quarto. André então fechou os olhos e esperou o amanhecer enquanto sentia o calor das lagrimas escorrer pelo seu rosto.

[...]

Já era dia e André estava sentado à beira de uma das piscinas olhando atenciosamente e sem piscar os olhos as ondulações provocadas pelo balançar dos seus pés na água. Ao chutar um copo plástico que boiava suavemente, ele retomou o estado natural de seu olhar e levantou a cabeça a movendo de um lado para o outro em observação. Reparou que na piscina, no gramado, e no balcão da área de alimentação, se encontravam latinhas, copos, litros, carteiras de cigarro e outros objetos que de forma alguma poderiam discordar de que ali tinha ocorrido uma festa daquelas!

Em seguida, André se levantou e foi para o gramado que estava minuciosamente bem aparado. Com a cabeça doendo muito e uma leve dor abdominal, o jovem se acomodou lentamente na grama e começou a vomitar os líquidos na qual não era acostumado a ingerir. Nesse momento, estava mais preocupado em sanar a bagunça de sua mente do que mesmo cuidar da incômoda ressaca.

Música sugerida para este texto: Não era pra ser assim - Zezé di Camargo e Luciano

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.