TODO HOMEM TRAI? PARTE I DE II


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

André tinha vinte e dois anos e era um rapaz bonito para os padrões da época. Fazia um bom tempo que ele não dormia, passou parte da última madrugada sentado no gramado, olhando o céu e refletindo se as suas escolhas o tornavam alguém melhor, ou apenas ele estava agindo de uma maneira que muitos iriam o denominar de idiota. Na noite que ficara sem dormir, enquanto organizava seus inúmeros pensamentos, segurava em uma de suas mãos uma latinha de aguardente que estava com menos da metade do líquido. Era visível que André estava parcialmente embriagado e não necessitava muita observação para notar
isso.

[...]

Eram por volta das vinte duas horas, praticamente todos do local ainda estavam acordados, mesmo os que não estavam sóbrios. André jogava cartas junto a três dos participantes da festança que estava no seu segundo e último dia. Após perceber que suas cartas não o ajudariam na rodada atual, ele decidiu abandonar a partida. Devolveu o baralho à mesa e caminhou em direção ao quarto mais afastado da casa, o que ficava ao lado dos banheiros. Ao se direcionar para o local na qual deixou seus pertences, ele viu uma jovem e atraente mulher escovando os dentes na pia do banheiro masculino. Parou instantaneamente! Ficou extremamente surpreso, não por ela estar no banheiro indevido, nem mesmo porque estava somente de toalha e era uma mulher lindíssima, mas sim pelo fato de ele saber exatamente quem era a moça.

Como não reconhecer sua antiga paixão da adolescência? Não! Mesmo seus olhos já vermelhos por efeito do álcool ele não estava enganado, era realmente ela. Mas em que momento da festa ela tinha chegado a casa? Como ele não percebeu sua presença anteriormente? Eram questões que ele se perguntava, logo após fugir descaradamente para o quarto, sem mesmo cumprimentá-la.

No quarto, André encostou a porta e sentou no chão, ao lado das mochilas dos que assim como ele decidiram dormir onde estava acontecendo a festa. Retirou o celular do bolso e viu inúmeras mensagens deixadas por sua namorada. Ela que por sua vez não foi junto dele por problemas familiares com sua mãe. O rapaz fez questão de responder todas às dúvidas de sua parceira. Depois de muitos minutos, ainda pensando no momento que vivenciou no caminho para o quarto, ele decidiu retornar ao ambiente principal do amplo terreno pertencente a casa.

Quando se sentou em um banco ao lado do balcão da área de alimentação, passou a observar a mesma moça que anteriormente estava no banheiro. Ao longe, ela conversava com duas amigas. André não conseguia fingir que a observava atrevidamente. Repentinamente ela se despediu das amigas que estavam partindo da festa, e caminhou em direção de André, que virou o olhar rapidamente ao lado oposto e passou a dar grandes goles na aguardente que consigo carregava.

Ao chegar perto dele a jovem abriu um enorme sorriso e o cumprimentou com um abraço apertado. André ainda não tinha falado palavra alguma. Ele pôs a latinha de aguardente no balcão e começou a conversar olhando atenciosamente nos olhos da moça. O semblante de André tinha mudado completamente, o espantado rapaz deu lugar a um homem confiante e feliz por ver aquela mulher fazendo questão de lhe dar atenção.

As horas foram se alongando, as pessoas se direcionavam aos quartos da casa para dormirem, alguns já repousavam tranquilamente no gramado escuro (existem coisas que só o álcool faz por você). Alguns rapazes armavam redes ao lado da cabana de madeira que ficava de frente para a piscina secundária da residência, uma que possuía pouca profundidade e tinha um tobogã de tamanho médio, improvisado para a diversão de crianças.

Passava da meia noite, André e a linda moça continuavam seu agradável papo. Somente quando o rapaz disse que necessitava ir ao banheiro, eles olharam ao redor e perceberam que a maioria das pessoas que por ali se divertiam, já não estava lá. Só restava um casal dormindo entorpecidos na grama e um rapaz que se encontrava vomitando apoiado no muro que ficava rente a parte escura da piscina principal. A moça então disse que ia dormir, pois se sentia cansada e um pouco tonta, por conta de mais cedo ter tomado doses puras de tequila e uísque. Em seguida, beijou o rosto do rapaz e se foi.


Música sugerida para este texto: Na sua estante – Pitty

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