EXTRAINDO SIGNIFICADOS: COMO NOSSOS PAIS - BELCHIOR/ELIS REGINA


Como nossos pais é uma composição de 1976 escrita pelo grande artista Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior. Foi lançado no álbum Alucinação, do mesmo ano de sua composição. Ficou bem conhecida pela interpretação da cantora de voz marcante Elis Regina Carvalho Costa, ou simplesmente Elis Regina. Que no mesmo ano de 1976 regravou a música em seu álbum Falso Brilhante.

A canção é de extrema sapiência, com uma riqueza de informações muito grande. Em poucas palavras, eu diria que a letra fala das desilusões que um indivíduo tem acerca do sistema social e político de sua época. Descreve traços da ditadura militar brasileira, a indignação diante a opressão exercida pelas forças do Estado. E junto a todo esse contexto histórico a canção retrata a paixão pelo direito de viver, pelo amor e pelas amizades, características do convívio familiar e a expectativa de um futuro melhor.

Obs. 01: Existem diversas interpretações na internet sobre essa música, no entanto, através de um pedido de uma pessoa muito especial, eu fiz a minha versão. Na verdade, a grande diferença da minha análise em relação às várias que existem na web, é o fato de aqui eu analisar trecho por trecho, ao invés de apenas uma visão geral. Outra coisa que destaco é que a análise foi baseada no tempo histórico do personagem descrito na letra.

Não quero lhe falar, meu grande amor, das coisas que aprendi nos discos. Quero lhe contar como eu vivi, e tudo o que aconteceu comigo

Bom, em primeiro lugar vemos que existe uma pessoa que está em um diálogo com outro alguém que ela deve ter grande apreço, pois o chama de meu grande amor. Em relação ao contexto completo desse trecho, eu diria mais precisamente que seria um diálogo entre pai e filha. O pai pretende relatar sua experiência de vida, falar da realidade do Brasil que ele viveu e da dura realidade da sociedade em que eles vivem. Dessa vez ele não contará dos amores descritos nas canções ou de alguma bela história relatada em um bom álbum musical.

Viver é melhor que sonhar. Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Sonhar é uma coisa ótima! Mantêm o desejo por algo aceso e o indivíduo motivado a seguir sua vida em busca da realização dos seus objetivos. No entanto, viver é ainda mais importante do que sonhar. De nada adianta ter sonhos se você não lutar por eles, não viver intensamente cada dia de sua vida em busca da sua conquista.

O personagem locutor (vamos tratar ele apenas como “o pai” daqui para frente) diz que falar de amor é algo sadio, porém, é preciso falar do ódio, da dor, dos mais diversos sentimentos da alma humana. Qualquer canção de amor, qualquer letra de música se torna menor quando se trata de falar da vida real de alguém. Em outras palavras, qualquer ficção é menor que a realidade de uma pessoa, seja quem ela for, ou como ela vive.

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina

Obs. 02: A Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. [saiba mais aqui].

Nessa parte da canção o pai aspira uma preocupação, uma inquietação paternal. Por que isso acontece? Na época da ditadura algumas das ruas brasileiras eram campos de guerrilha urbana, cada esquina podia ser um lugar de luta por liberdade de expressão, direitos e reafirmação de valores, lutas que eram encabeçadas principalmente por jovens.

Obs. 03: Curiosidade - No ano de 1969 durante o governo da junta militar que substituiu o presidente Costa e Silva, em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisaram fábricas em protesto ao regime ditatorial. A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e sequestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada que estava ganhando força.

Obs. 04: Dentre os grupos de guerrilha urbana se destacou a ALN - Aliança Libertadora Nacional
 - liderada por Carlos Marighella [Clique no Link e assista ao documentário/filme sobre ele. A ALN surgiu oficialmente ainda no ano de 1935 com o objetivo de combater a ideologia fascista no território brasileiro. 

Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens

Nessa parte, o pai quer deixar claro o sentimento de desilusão para com o sistema de governo. Repressão aos jovens, promessas de um país do futuro não cumpridas, censura, aflição e medo.

Obs. 05: Podemos representar esse trecho da canção o comparando com o ato histórico do regime militar denominado de Ato Institucional Número 5 (AI-5). Baixado em 13 de dezembro de 1968, foi a expressão mais acabada da ditadura militar. Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados. [leia o AI-5 na íntegra].

Para abraçar meu irmão e beijar minha menina na rua, é que se fez o meu braço, o meu lábio e a minha voz

Aqui o pai se refere à ausência de liberdade imposta pelo regime. O braço foi feito para abraçar, a voz feita para ser falada, a boca para ser beijada. Em síntese ele quer dizer que não se podem realizar ações básicas de expressão em público sem que o indivíduo seja observado, reprimido ou em casos mais severos, perseguido e torturado.

Você me pergunta, pela minha paixão, digo que estou encantado como uma nova invenção. Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão. Pois vejo vir vindo no vento cheiro de nova estação. Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

A música fala também das perspectivas dos cidadãos que saiam do interior (sertão) para os grandes centros urbanos em busca de uma melhor qualidade de vida. A letra também traz um tom positivista em meio ao caos, isso é explícito na frase “Pois vejo vir vindo no vento cheiro de nova estação”.

O pai deixa claro que ele sempre terá esperança que tudo mude, que dias melhores um dia irão vir. Depois de ter sofrido, e ainda sofrer com tempos difíceis, ele sabe muito bem como é ter que lutar. A ferida em seu coração faz alusão às lembranças de sua juventude, da época de rebeldia, de sua história de vida e de tudo aquilo que ele já passou.

Obs. 06: A partir do governo do general e presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) houve uma intensificação do êxodo rural, isto é, a saída do homem do campo para as grandes cidades. Esse fenômeno pode ser explicado pela miséria em que o campo se encontrava devido aos meios de produção antiquados ou pelo desemprego no campo devido à automação da produção rural. [leia mais aqui].

Obs. 07: 
“estou encantado como uma nova invenção”.

Acredito que o trecho se refere à popularização da televisão no Brasil (uma nova invenção), no final dos anos 70. Já nesta década, o mundo pode ver o Brasil ser tricampeão da copa do Mundo, o fim da guerra do Vietnã, o fim dos Beatles, os desenhos speed racer e pica-pau e se sentir como nunca interligado com o mundo por meio do mais poderoso veículo de comunicação até o momento. [saiba mais aqui].

Já faz tempo, eu vi você na rua. Cabelo ao vento, gente jovem reunida. Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais

Nessa parte, o pai está fazendo uma comparação da juventude atual que ele está presenciando com os jovens dos primeiros anos de ditadura. Não se vê mais os jovens reunidos, rebelados lutando por seus ideais e contra a opressão a liberdade de expressão (como em 1969, por exemplo).

A juventude atual (na época do contexto descrito na canção) está estagnada, pois, apesar de inúmeras lutas pra tornar o país democrático e inovador, eles estão cada vez mais acovardados, presos a atitudes conservadoras. O pai é um homem repleto de lembranças muito dolorosas de um tempo em que muito se lutou por transformações, mas que da maneira que a sociedade está, pouco se conseguiu alcançar.

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais

Mesmo depois de tanto sofrimento e de tanta luta para tornar o Brasil um país diferente, a juventude da época passou a viver conformada com a mesma sociedade autoritária que seus pais foram obrigados a suportar (não só em tempos de ditadura, mas na história geral do país). Tudo continua sendo semelhante à mesma época de imposições e proibições.

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não. Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém

Perante o medo do enfrentamento, os ídolos não mudaram, aquelas pessoas que deram suas vidas pelos seus ideais de mudança e se eternizaram como símbolo de luta. O conformismo da atual sociedade trouxe consigo a escassez de novos “heróis”.

Você pode até dizer que eu tô por fora ou então que eu tô inventando. Mas é você que ama o passado e que não vê. É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem

Aqui é como se o pai falasse para a filha (representando a figura de toda uma juventude da época), que tudo que ele viveu foi real, ele não está dizendo nada da boca para fora. Nessa parte ele também retoma o mesmo sentimento de esperança para com a mudança, citado anteriormente, a fé em tempos melhores. É como se o pai quisesse demonstrar para a filha o quão é importante que cada indivíduo faça a sua parte. É importante lutar e não desistir, é importante acreditar e não se calar. Existem coisas para serem feitas, Façamos! Reclamar de tudo sem agir de nada vai adiantar. Não adianta sonhar sem viver!

Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude, tá em casa guardado por Deus contando vil metal

Aqui o pai quer dizer que tudo pelo que ele e sua geração lutaram, ou seja, a família, um futuro melhor para seus filhos, de quase nada realmente adiantou, pois, o comportamento de conformismo que era tão criticado nos pais é agora exercido pelos filhos. Tal postura de acomodamento, e imobilidade é representada por "está em casa guardado por Deus".

Os novos ideais da juventude estão cada vez mais alicerçados na tentativa de acúmulo de ganhos materiais. Não se vê mais jovens com a gana de luta, com o idealismo e rebeldia que ficou sendo característico da juventude libertadora. Tal premissa é exposta no trecho “contando o vil metal" (expressão estereotipada para dinheiro e riquezas).

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Comentários

  1. Perfeito
    Vc tem alguma do Renato russo??

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    1. Apenas uma! Fátima - Renato Russo/Capital Inicial. Renato não faço muito porque na web sempre existe muitas interpretações para quase todas as letras dele!

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    1. Por nada. Fico satisfeito que tenha apreciado. Disponha do conteúdo!

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  3. Muito bom!!!! Impossível não entrar dentro da letra e dentro da história ouvindo Elis cantar!

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    1. Obrigado. E tens razão, Elis é incomparável. Simplesmente Elis!

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  4. Belchior grande compositor, Elis nem precisamos falar nada...Mas a interpretação de texto(letra da música) achei completamente equivocada...Assisti ao Belchior, que até então nunca ouvira falar, em 1974 em uma apresentação no anfiteatro da Poli-usp (onde eu estudava), numa sexta-feira finalzinho da tarde(sem repressão alguma...)como era de costume na escola... Virei fã do Belchior, comprei seu LP - Mote e Glosa.Mas ele era "apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso" que gostava de falar de amor ( não de ódio...). Desculpe, mas eu vivi e senti essa época!

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    1. Olá Marcio. Sim, o velho Belch sempre foi um cara tranquilo, romântico, apenas um rapaz latino americano. No entanto, assim como vários outros grandes artitas brasileiros, viveu tempos difíceis e dolorosos. A crítica sempre adorou falar de Belchior como meramente um apixonado, contudo, suas letras serviram para expressar os anseios perantes uma sociedade "tirana". Gostaria de lhe apresentar o seguinte texto: "O Belchior que a crítica vulgar não viu - Canções do compositor cearense debateram, desde os anos 1970, a alienação, as relações mercantis e a própria indústria cultural". está disponível no link: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/09/belchior-critica-vulgar.html Você vai se surpreender com essa análise magnífica da figura de Belchior. Abraços!

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  5. Otima analise! Lembro que no final do meu ensino medio, um professor musico e outro de historia, fizeram uma analise dessa musica, mas nao foram tao a fundo como voce !
    Voce poderia fazer sobre Gita? ou por acaso ja tem?
    Grata! e parabens

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    1. Obrigado. Não tenho nehuma do Raul! Geralmente as deles e do Renato Russo existem aos milhares na internet. Poderia fazer, mas infelizmente estou dem tempo para as análises. Estou em processo de conclusão de TCC da faculdade :/

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  6. Simplesmente perfeito!!!

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  7. Nossa, EXCELENTE!
    Obrigada por compartilhar isso com a gnt :)

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  8. Muito bom! Minha filha gravou um vídeo para para o The Voice 2018, se você quiser assistir é só entrar no youtube e procurar: Lara Magalhães - como nossos pais,e queria saber sobre a música, a informação que eu tinha é que é uma música da época da ditadura ... ela:"mãe o que é vil metal", na minha ignorância, não tinha ideia do que significa ... você foi a nossa luz! Obrigada e felicidades!

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    1. Vou ver o vídeo com toda certeza! Fico muito satisfeito em ter ajudado, isso é muito bom de ler. Abraços e sucesso!

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    2. Amei a interpretação da Lara! De verdade, canta muito <3

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  9. Respostas
    1. Obrigado Bruno. Fico grato que tenha gostado.

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  10. Desde que ouvi essa música fiquei vislumbrado com a letra e melodia do canto, mas depois que eu li essa interpretação passei a gostar ainda mais. Gosto dos compositores e cantores desse tempo pois as músicas mesmo se passando naquela determinada época, sua letras ainda continuam muito atuais porém em um contexto diferente.Parabéns pela sua interpretação, você conseguiu ir muito mais além do que eu imaginava sobre a musica.

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    1. Você tem toda razão Rafael! Obrigado pelo feedback. Abraços!

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  11. Bem atual, pode ser interpretada novamente após o golpe de 2016 também!

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    1. Sem dúvidas amigo leitor (a). Essa visão que impus cai como uma luva para o nosso contexto político atual. Espero que boas novas ainda possam vir nesse futuro assustador. Abraços!

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  12. Tenho 26 anos, cresci ouvindo Belchior, entre outros grandes nomes da MPB, pois meu pai gostava muito... Porém, nunca parei pra entender de fato a letra, é com essa perda, fui em busca de uma análise, e estou encantada como você foi a fundo, interpretação maravilhosa. Parabéns!

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    1. Obrigado caro leitor (a). Belchior e Elis são imortais! Estarão para sempre como ícones do nosso país. Abraços.

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  13. Respostas
    1. Fico feliz que tenha gostado caro leito (a). Abraços!

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  14. Menino, que interpretação MARAVILHOSA!

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    1. Obrigado Marla! Fico feliz que a minha concepção tenha te agradado. Abraços!!

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  15. A interpretação foi interessante, mas não mostra a realidade da canção! É preciso considerar a poesia e a forma de viver do autor. O tema da música já sugere o enredo: "Como os nossos pais".Apesar de ter como cenário a ditadura, não trata desse assunto; é um confronto, mas de geração, de ideais; Na época do Belchior, os jovens dos EUA, fizeram um grande movimento de liberdade de expressão, de paz, amor, onde todos deveriam viver se nenhum tipo de repressão, e influenciaram muito os brasileiros, é explicito na jovem guarda. Com o passar do tempo os jovens abandonaram essa ideia e se tonaram os mesmos adultos que eram seus pais. E como sempre as gerações antigas não valorizando os jovens repetem: "a minha época era melhor!" E os jovens contra argumentam: "Você não compreende a modernidade e vive no passado, você ama o passado!"

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  16. Bem, acho que só o Belchior poderia afirmar com certeza. Mas é uma ótima visão a sua, acho até que caberia junto a análise que fiz. Parabéns. A análise é a minha visão, o que não quer dizer que seja a correta. Abraços e obrigado pelo feedback valioso.

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  17. Elizabeth de Mattos10 de maio de 2017 01:13

    Achei espetacular a interpretação. Sempre fui fã do Belchior e esta música, em especial, sempre significou muito para mim. Tenho 53 anos de idade e, somente aos 40 consegui entender o que eu acreditava ser excesso de zelo do meu pai, nos anos 73 a 80, quando eu era muito jovem, não podia ficar, após as 20 horas, na esquina com minha "turminha" de amigas.... Meu pai sempre mandava minha mãe buscar a mim e minha irmã. Aos 40 anos descobri que era por receio de represália, por ele ser funcionário do governo e sobre nós (filhas) poderiam tentar atingi-lo.
    Em sua interpretação, vivenciei nitidamente aquela época, quando eu era a "filha", totalmente inocente pela proteção que meu pai sempre dispensou, e com razão.
    Quero comentar em especial a parte que diz que o pai, que tentou mostrar à filha o que era importante, agora está em casa...
    É este o ponto que mais me intriga, pois, aqueles que eram jovens naquela época, atualmente estão em casa (nossos pais), muitas vezes condenando nossas manifestações contrárias à atual política e políticos corruptos que, de diferente daqueles torturadores da época da ditadura, não causam torturas físicas, mas, emocionais e psicológicas a toda uma nação, ferindo a alma, dignidade e, levando à destruição de lares e até a suicídios, o que, particularmente acredito ser tão grave quanto os cacetetes e demais torturas físicas praticadas nas décadas de 70/80...
    Por fim, ouso discordar do comentário do estudante da Poli-usp, que afirmou que vou um show em 74 e acredita que Belchior era "apenas um rapaz latino americano..." Creio que está imagem deveria ser a que era interessante passaram ao público menos esclarecido ou, por receio da repressão, afinal, 74 era uma época de torturas, exílios e mortes para os que ousassem desafiar o governo autoritárias.
    Como sou mais nova, passei a frequentar shows do Belchior, em Belo Horizonte, na década de 80 (+-84) e não foram poucos shows... Em todos, tive o prazer de ouvir relatos do próprio Belchior, durante show, sobre o por quê das letras e a reação do governo quanto às mesmas.
    Nada de ser "apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso".
    A manifestação acima, do estudante da Poli-usp é bem parecida com uma manifestação do Pedro Bial, que muito me surpreendeu nesta semana, ao afirmar, +- assim: que foi preciso Belchior morrer para que o Brasil conhecesse sua musica.... Dito algo assim, pelo Pedro Bial, causa-me perplexidade e indago: Onde um jornalista brasileiro estaria durante os anos 80, 90 e seguintes para dizer tamanho absurdo?
    Amei sua interpretação Diane é muito ajudou a ainda mais admirar a música é o Belchior.
    Parabéns.

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    1. Que comentário expressivo! Fiquei emocionado com a grandeza do teu relato. Eu tenho 23 anos, ou seja, não tenho nem metade da sua experiência de vida. Minha análise foi por meio de leituras, mas a sua é por meio da vida! Isso sim é que é verdadeiramente lindo. Grande abraço e obrigado pela valiosa contribuição

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  18. Muito boa interpretação! Essa musica lembra minha mãe de criação, que faleceu no dia 10 desse mês.Ah! Parabéns ..

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    1. Nossa, primeiramente meus sentimentos. A vida é um ciclo que devemos aceitar! É uma música capaz de marcar muitas gerações. Obrigado pelo feedback. Abraços!

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  19. Por gentileza, pelas características da letra da música, ela se encaixaria em que escola literária ? Você pode me responder ? 🤔

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    1. Olá José. Bem, eu particularmente não posso afirmar com certeza, mas tratando-se do contexto histórico, eu diria que está dentro da escola literária do Realismo. Falo isso pela presença das frases com força política. Mas tratando-se da obra de Belchior, podemos supor que há muito de Romantismo, Naturalismo e (por que não?) Prosa moderna....Eu não entendo bem do assunto, é apenas uma visão geral e particular. Abraços!

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  20. Parabéns, sem dúvidas foi excecional sua analise sobre a letra da canção. Como vi algumas pessoas comentarem, dizendo que não tem nada a ver a letra com sua analise, eu descordo plenamente, pode ate que seja que tem algumas coisas que não seja completamente. Mas é só prestar atenção na interpretação da Elis Regina, ela encarnou e cantou a música com a alma, como se estivesse vivendo aquele momento da ditadura, e era o que realmente estava vivendo e via a juventude de sua época. Fico muito feliz por ter tirado um tempo e ter compartilhado essa analise.

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    1. A análise poderia ainda ser mais profunda, mas isso iria necessitar de um amplo estudo. Mas em linhas gerais, acho que atende ao que realmente o velho Belch queria transmitir. Essa interpretação da Elis deu ainda mais vida a esta canção. É de tirar o fôlego! Abraços e obrigado Sousa!

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  21. Respostas
    1. Obrigado Vnícius. Aos poucos vamos adicionando novos pontos de vista e criando um diálogo bacana aqui nos comentários. Abraços

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  22. Maravilhosas: a análise, a letra e música, e a intérprete!

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    1. Belchior e Elis, uma combinação perfeita! Obrigado leitor.

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  23. Agradeço a todos que amam Belchior, como eu, obrigada pela interpretação tão sábia e o parabenizo por isso.Gostaria de compartilhá-la .Mas gosto a admiro apenas o Belchior e ele a canta como sempre divinamente.Beijos.

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    1. Obrigado. Sim, Belchior e Elis são realmente maravilhosos. Beijão <3

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  24. Uma palavra para definir sua análise: "Maravilha".

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