ÍMPETOS DE UM CREPÚSCULO


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

As paredes dos muros se encontram molhadas, pintadas com lágrimas de chuva que demonstram calor ao expelir vapor diante dos olhos do espectador.

O que ele está fazendo ali? Ele deveria ter ido embora. Por que não partir se já chegou a hora?

A tarde cai, a noite vem, trazendo espíritos do além, para perdoar os moribundos da terra, os exilados de guerra, os que atiram pedra na cruz, em Deus e em Jesus.

Mas ele não vai? O que podemos fazer? Talvez vê-lo crescer e rezar para não desaparecer seu carma, sua alma, seu lençol, sua cama. Para não se afogar no mar de lama e ser apenas outro que repele a dor em um martírio de horrores. Se ao menos tivesse pétalas de flores...

A tarde cai, a noite vem, trazendo a visão dos que creem em alguém que olha por eles no caos ou na paz, e além do epitáfio de um túmulo escuro que diz “aqui jaz”!

E os muros? Continuam em pé, duros como se enxergassem o mundo ao seu redor. São crentes espectadores do momento, transmitem amor e ódio, vivem do ócio. Não possuem asma ou gastrite, sem olhos ou cérebros, mas fiel entre o errado e o certo, o chão e a semente. Será que podem ser mais um dos elos quebrados da corrente...?

A tarde cai, a noite vem, trazendo espíritos do além para perdoar os moribundos da terra, os exilados de guerra, os que atiram pedra na cruz, em Deus ou em Jesus.

Música sugerida para este texto: Muros e grades – Engenheiros do Hawaii

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