LAMENTO: PARTE II DE III


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Todo relacionamento em algum momento é cercado por divergências, discussões que são provocadas pelo desencontro de opiniões. Nesse caso, o que surpreende é que o namoro que em um primeiro instante não duraria muito tempo, se arrastava de forma espontânea e sem grandes problemas. É aí que se pode perceber a que proporção pode tomar o dom da manipulação, sendo ela capaz de tecer um amor que visto pelos do convívio dele e dela se tornava tão belo e perfeito que parecia até escrito em roteiro. Quem sabe realmente não tinha sido?

Oito meses pode parecer uma vida se você parar para analisar que sequelas emocionais são feridas que se carrega por toda uma existência. Ele se entregou inteiramente ao desejo de fazê-la feliz, era uma obrigação visto em conta que ela dava sentido ao vazio angustiante que seu coração ferido continha.

Ela, segura que conseguiu alcançar as bases de seu objetivo, manipulava suas atitudes a fim de tornar seu protótipo de amor inteiramente passivo as suas vontades. Carente de amor durante toda sua vida ele se entregava totalmente as ambições dela, sendo capaz de exonerar-se dos seus sonhos em prol de agradar aquela que em sua concepção era angelical. Fisicamente ela realmente parecia ter proteção divina pra ser tão linda.

Sapatos de grife, calça jeans apertada, relógio cartier e uma camisa que poderia pagar dois aparelhos celulares de preço médio. Vestido dessa forma ele saiu ao encontro dela. Era uma tarde de quinta-feira vinte e seis de setembro, a garoa caía lentamente sob o para-brisa do carro, enquanto o som automotivo liberava o rock alternativo do Coldplay. No banco de trás estava uma caixa pequena bem embrulhada por um papel vermelho de extrema elegância. Ele observava a caixa pelo retrovisor e não parava de sorrir. Mais dois sinais de trânsito e poderia novamente sentir a respiração da mulher que tanto amava. 

Quando desceu do belo carro a chuva começava a ganhar intensidade. Recolheu a caixa, caminhou a passos largos em busca do local que marcou ao celular. Conferiu a hora no relógio prateado e pode ver que estava uns quarenta e cinco minutos adiantado em relação à hora que premeditou encontrá-la. Sua ansiedade de falar com ela era tão grande que o tempo esvaiu-se da sua percepção.

Antes mesmo de entrar no belo restaurante, possivelmente o mais caro da cidade, pôde perceber através das portas de vidro sua amada sentada ao fundo da área principal do estabelecimento. Ao lado dela estava um senhor uns vinte anos mais velho do que a jovem moça, imaginou ser seu pai. Talvez ela tivesse entendido as mensagens implícitas nas conversas durante a última semana. Entrou no restaurante sem que ela e seu acompanhante o notasse, queria ir ao banheiro antes de ir ao encontro deles, logo, estava um pouco molhado e com a roupa levemente bagunçada. Não queria causar constrangimento a ela, ou mesmo uma má impressão ao desconhecido senhor.

Continua... No capítulo III - Final

Música sugerida para este texto: Paradise - Coldplay

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