O DEPOIS DE UM NÃO


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Pensamentos se tornam tão pesados que palavras não podem mais ostentar poder. As ações por mais simples que sejam são reprimidas por um orgulho que fere o coração, mas alimenta o ego. Acontecimentos pós-aversão passam a ser a pior tortura que os homens podem sentir. Não é uma tortura física, mas algo que corrói a alma lentamente, como uma ferida exposta que é vagarosamente comida por insetos. Uma ferida que pode ser controlada com muito esforço e dor.

A odiosidade a outra metade é algo inevitável. Por mais que o elo entre ambas as partes ainda exista, o esquecimento é tratado como o caminho principal, enquanto a curva de retorno é cotidianamente reprimida por aquele mesmo ego. Aos poucos o breu vai sendo invadido por pequenos focos de luz. Brilhos que incidem diretamente sobre a ferida aberta, muitas vezes diminuindo a dor e outras tantas rasgando diretamente a carne, aprofundando cada vez mais o ferimento.

É muito difícil controlar os sentimentos nesse momento, uma vastidão de dúvidas é lançada sobre as poucas respostas que se tem, enquanto as certezas são forjadas a partir de súbitos desejos que alimentam a vaidade e mascaram a verdade. As novas esperanças são tão atrativas que a consciência é logo ofuscada, a sensação que a dor não é mais presente e o espírito se curou é facilmente acolhida. Sem perceber que por fora tudo aparenta normalidade, enquanto a verdadeira dor permanece fincada, pronta para ser novamente apresentada com ainda mais ímpeto que antigamente.

O ser é movido por um instinto indutivo que o faz crer na possibilidade de que um dos novos focos de luz venha a ser a cura definitiva do sofrimento. Mal percebe que uma nova aventura nada mais é que um ciclo natural de sua pobre existência. As feridas antigas serão amenizadas, no entanto, aparecerão novas, e assim a vida é tocada em frente.

O passado não pode ser à sombra do futuro, e sim algo que está sob o presente e pode ser seguidamente ofuscado por novos contratempos. Logicamente é inviável romper a conexão entre os acontecimentos vividos dentro da noção de tempo, todavia, podemos torná-los algo consultável dentro de um controle individual.

Tem que se aprender a conviver com a dor, querer eliminá-la por completo pelo caminho mais curto é algo contraditório, pois, é também o caminho onde se tem um maior preço a assumir. A consequência desse rumo é algo inimaginável pelas mentes humanas, além de ser a forma de decisão mais egoísta que um ser humano pode tomar.

Música sugerida para este texto: Tarde de outubro - CPM 22

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