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Mostrando postagens de Setembro, 2014

FRIAS MENTIRAS

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Todas as tardes com chuva parecem ser eternas, trazem ao pensamento memórias que ressuscitam demônios e elucidam dores que se encontravam adormecidas. Quando se olha pela janela da solidão, não se enxerga o horizonte que delimita a metade do edifício em frente, logo, o cinza da névoa fria e das gotas de chuva encobre a visão. Nesse momento, qualquer ser humano em estado de martírio cospe suas verdades para fora, mesmo que sua alma tente resistir. É inútil tentar procurar a linha do horizonte, portanto, é melhor buscar razão nas verdades forjadas pela carência. Renato Russo uma vez cantou que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira, ele tem razão, mas isso não é necessariamente um fato universal. Quando não é possível delinear verdades, algumas mentiras podem ser a salvação para o esquecimento próprio.
São exatamente 15h23min informa meu celular que está com o visor quebrado. Confio em suas informações, elas são programadas por mim, são universais, mesmo que eu descubra que após mai…

NECESSIDADE

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É madrugada, a porta do quarto não está trancada e isso me deixa meio que tenso. O suor começa a escorrer lentamente na minha testa fria e franzida. Estou deitado, meus pés se contorcem enquanto meus dentes superiores torturam meus lábios. É difícil acreditar que aquela porta realmente não está trancada. Enquanto sinto meu corpo contrair de forma lenta, penso em coisas que eu jamais sonharia fazer, isso faz com que o suor escorra cada vez mais constante.
A porta continua sem trinco! O quarto com apenas a luz de um celular que toca repetidamente o mesmo álbum de Zé Ramalho, permite que eu levante um pouco a cabeça e veja meus pequenos pés se contorcendo. Concentro-me rapidamente na minha respiração devagar e profunda, devaneio entre momentos de puro alívio e segundos de falta de ar. Sei que não se passaram nem três minutos, mas naquele momento é como se eu estivesse há horas, ali, sendo vigiado através da porta que não tive coragem de trancar.
Depois de mais alguns minutos imaginando o i…

DESGESSINGERIANDO: O OLHO DO FURACÃO - ENGENHEIROS DO HAWAII

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A canção “O Olho do Furacão” é a faixa 06 do álbum “Tchau Radar” de 1999 da banda gaúcha. Segundo o Humberto Gessinger (músico líder dos Engenheiros do Hawaii), no Making of que compõe o DVD "10.00 Destinos Ao Vivo" do ano seguinte, ele fala que essa canção, junto com a faixa de número 05 “Nada Fácil”, compõe a parte de uma mesma história.
A música “Nada Fácil” seria o momento anterior à mudança de comportamento realizada por uma pessoa, ou seja: a fuga da rotina; do comum; ficar fora do radar. Já “O Olho do Furacão” seria o momento posterior a essa tomada de decisão.
Tudo muda ao teu redor, o que era certo, sólido, dissolve, desaba, dilui, desmancha no ar
A música fala de alguém que está evadindo da sua vida cotidiana, buscando novos ares, novos rumos, uma fuga da sua rotina diária. Depois de realizar seu desejo chega a hora de encarar as consequências de suas ações. Tudo ao seu redor está diferente, as coisas que ele tinha em mente, seus planos anteriores agora se encontram p…

MADRUGANDO OS MORTOS

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Todos os dias estão se tornando madrugadas. Sinto o frio consumir o meu corpo enquanto me encolho no sofá rasgado na tentativa de me aquecer. O sonho de logo cedo ainda ecoa na cabeça, martelando as memórias, consumindo as minhas esperanças.
O coração se encontra mais frio do que o corpo gelado e trêmulo. Por que será que a cabeça insiste em buscar respostas para perguntas que nunca foram feitas? É triste ver o pensamento viajar entre anéis e latidos de cães. A Freud... Bendita seja a sua insistência em ter paciência.
Pior do que os dentes batendo na boca são os pensamentos mastigando retalhos de noites quentes, destroçando minuciosamente o som das vozes de prazer. Acho que eu não deveria ter tomado aquele delicioso café, seu sabor momentâneo não está compensando o corpo excitado de tédio. Agora o gosto saboroso me parece mais amargo que romã.
Não conseguir adormecer se torna uma boa coisa, na medida em que encharcado de lucidez se pode fugir das agonias do que já foi real. Passar noites…