SOLIDÃO


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Objetos jogados perto da parede ao lado de um copo de refrigerante sujo de batom vermelho, beijado com desejo, porém deselegante.

Cadernos em volta da mesa manchados de lágrimas e rabiscados com tristeza. Desenhos livres como pipas no céu são visivelmente distinguidos por corações partidos ou uma mente cruel.

A campainha tocou a noite depois das sete, antes do sair. Então ele abriu a porta e era ela a sorrir. Olhava para ele e de repente mudava sua face, seu sorriso e sua cara. Vendo e sentindo um clima estranho, um ardor momentâneo, um instinto.

Ele a chamou e a tocou desviando o rumo, saindo de cima do muro e extravasando seu amor. A expressão alegre dela voltou, sua cara ríspida se afogou em um poço escuro, revoltante, áspero e duro.

Os dois se amaram, as horas passaram. A noite era boa, a paixão enorme, o prazer era torpe, uma gritaria à toa. De repente um barulho ensurdecedor, um som sem pena, pois encerrava a cena e contradizia o amor.

Que horas são? Sete da manhã? Reclamou. Era só um sonho? Uma visão? Cadê o prazer, a paixão e o amor?

... Foram engolidos pelo barulho do despertador.

Música indicada para este texto: Números - Engenheiros do Hawaii

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