TRANSIÇÃO


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Os órgãos querem sair do corpo, as mãos trêmulas procurando algo para segurar, inquietas mal recebem os comandos do cérebro. O líquido se evaporando do corpo com uma velocidade anormal e as pernas firmes no chão como as raízes mais profundas de uma árvore.

O olhar profundo revela o medo e insegurança. As palavras que insistem em não sair da boca, como se as cordas vocais tivessem entrelaçadas formando um laço, não são mais as únicas fora do normal.

A angústia passa a ser tão visível quanto à voz do silêncio que se instaura a quilômetros, mesmo que haja milhares de ruídos ao redor. As pernas agora tendem a ir para frente, forçadas por instinto próprio, mesmo que a cabeça não tenha certeza de qual seja a direção correta.

O sangue quente e o suor frio passam a ser controlados por uma respiração mais devagar. Passou-se alguns minutos e a cabeça agora tem mais controle sobre o corpo e o espírito está mais leve. O laço antes apertado começa a se soltar. A ansiedade agora é exposta ao nível máximo e os poucos segundos que se seguem se tornam longos. 

O tempo congela por um instante, agora apenas a alma é sentida e o corpo se comporta apenas como um elo entre o material e o espiritual. A incerteza do pouco tempo que se segue ecoa junto ao vento. O medo de algo dar errado é o combustível que move o nervosismo, os sentimentos se tornam tão confusos e tão insuportáveis quanto o tédio.

Música sugerida para este texto: Quase de manhã - Scracho

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