LÓGICA INSANA


Por: Djane Assunção - @mestre_djane

Estou sempre imaginando como pode ser o fim de tudo. O último suspiro, o último bloco de tijolo do muro, a última engrenagem de um barco a motor. Caso fosse fácil subir, tantos não iriam cair. Desprender-se de sua base como pétalas de flores no outono, que parecem estar com sono e se contraem com o vento, ao relento e sem direção.

Deus está sendo cada vez mais difícil. Não é a falta de dinheiro, o vício ou até mesmo os anos que não passam devagar.

Estou sempre imaginando como pode ser o fim de tudo. Uma última comédia drástica, outra Alemanha de suásticas. O inferno com símbolos de satã, que outrora julgados falsos, se tornam uma espécie de laço entre o diabo e Deus, entre a luz e o breu.

Estou sempre imaginando como pode ser o fim de tudo. A última linha do verso, o último disco de sucesso, a última caminhada na calçada. A última olhada para as estrelas, que ali paradas veneram cada um de nós, tendo dó da humanidade, pena de sua vaidade, sua autodestruição lenta.

Estou sempre esperando o começo de tudo. A nova aurora no horizonte, a nova pedra no sapato do herói, que de tão valente não tem nada, sua covardia demente e nada inocente traz desesperança aos que um dia sonharam em bonança, mas veem logo a verdade: não é fácil sobreviver à difícil tempestade.

Deus está sendo cada vez mais difícil...

Música indicada para este texto: Só os loucos sabem - Charlie Brown Jr.

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